12 de agosto de 2026 — não 1º de agosto. Essa é a data em que entra em vigor a nova Lei de Direitos Autorais da Arábia Saudita, e a diferença de 11 dias que aparece nos comentários profissionais não é um erro de arredondamento. Ela decorre da diferença entre contar 180 dias a partir do Decreto Real e contá-los a partir da publicação no Diário Oficial. O próprio diploma esclarece a questão em sua penúltima linha.
A reforma da lei saudita de direitos autorais de 2026 substitui uma norma que regeu a economia criativa do Reino por 23 anos. Mas a disposição de maior impacto não está no capítulo de fiscalização. Ela aparece no meio do texto, no artigo 26, que permite reproduzir uma obra publicada — sem autorização do autor e sem qualquer compensação — para fins de “desenvolvimento de produtos e algoritmos de inteligência artificial”.
Essa é uma das primeiras exceções autônomas e expressas para treinamento de IA em uma lei nacional de direitos autorais, e não prevê exclusão a pedido do titular dos direitos. Ela surge no mesmo ano em que a empresa de IA pertencente ao Fundo de Investimento Público (Public Investment Fund, PIF), a HUMAIN, lançou um modelo de fundação árabe de 34 bilhões de parâmetros, treinado com o que a Autoridade Saudita de Dados e Inteligência Artificial descreve como o maior corpus árabe já reunido.
Quase tudo o que foi publicado até agora sobre essa lei consiste em alertas a clientes destinados a assessores jurídicos corporativos. Este artigo é para as pessoas afetadas pela lei — fotógrafos, editoras, fornecedores de software, serviços de streaming e desenvolvedores de IA, que agora têm uma defesa prevista em lei que antes não tinham. O texto oferece informação jurídica, não aconselhamento jurídico; quem estiver diante de uma exposição concreta deve consultar um advogado habilitado na Arábia Saudita.
Lei de Direitos Autorais da Arábia Saudita de 2026: o que muda em 12 de agosto
| Item | Situação |
|---|---|
| Instrumento | Decreto Real nº M/169, datado de 14/08/1447 AH (2 de fevereiro de 2026), que aprova a Decisão do Conselho de Ministros nº 560, de 27 de janeiro de 2026 |
| Publicação oficial | Umm al-Qura, 25/08/1447 AH (13 de fevereiro de 2026) |
| Entrada em vigor | 12 de agosto de 2026 (artigo 61: 180 dias após a publicação no Diário Oficial) |
| Substitui | Lei de Direitos Autorais, Decreto Real M/41 de 2/7/1424 AH (30 de agosto de 2003) |
| Órgão regulador | Autoridade Saudita de Propriedade Intelectual (SAIP) |
| Regulamentos de implementação | Deveriam ser publicados antes da entrada em vigor; ainda não haviam sido publicados em 31 de julho de 2026 |
| Principal mudança | Artigo 26(4) — exceção expressa para treinamento de IA, sem autorização, sem compensação e sem mecanismo de exclusão |
Última verificação: 31 de julho de 2026.
Quando entra em vigor a nova lei de direitos autorais da Arábia Saudita?
12 de agosto de 2026. Vale mostrar a conta porque a divergência nas fontes secundárias é sistemática, não aleatória, e este é o fato de maior consequência nesta página.
O artigo 61 da Lei — sua disposição final — diz:
يعمل بالنظام بعد (مائة وثمانين) يوماً من تاريخ نشره في الجريدة الرسمية
“A Lei entrará em vigor 180 dias após a data de sua publicação no Diário Oficial.” [S1]
O marco inicial é, portanto, a publicação, não a emissão. São duas datas diferentes, separadas por 11 dias:
- O Decreto Real M/169 é datado de 14/08/1447 AH = 2 de fevereiro de 2026.
- A publicação no Umm al-Qura ocorreu em 25/08/1447 AH = sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026 [S2].
Contando 180 dias a partir da data de publicação: restam 15 dias em fevereiro depois do dia 13; março acrescenta 31 (total de 46); abril, 30 (76); maio, 31 (107); junho, 30 (137); julho, 31 (168). O 180º dia cai 12 dias após o início de agosto. Início da vigência: 12 de agosto de 2026.
Agora, a contagem a partir da data do decreto. Restam 26 dias em fevereiro depois do dia 2; com os mesmos acréscimos mensais, o total chega a 179 em 31 de julho. O 180º dia é 1º de agosto de 2026.
As duas datas divulgadas estão separadas pelos mesmos 11 dias que separam o decreto da publicação no Diário Oficial. A A&O Shearman indica 1º de agosto ao mesmo tempo que data a promulgação em 13 de fevereiro — a data de publicação —, o que revela a origem do erro [S5]. A Reed Smith também indica 1º de agosto e cita o artigo 60 como fundamento; no texto árabe publicado, o artigo 60 fixa o prazo dos regulamentos de implementação e o artigo 61 trata da entrada em vigor [S6]. Baker McKenzie e Gowling WLG indicam 12 de agosto [S3][S4].
A data de 12 de agosto tem melhor respaldo. O marco previsto na Lei é a publicação, e só há uma data de publicação. A prática saudita com a mesma fórmula aponta na mesma direção: a lei sobre propriedade imobiliária por estrangeiros, publicada em 25 de julho de 2025, entrou em vigor em 22 de janeiro de 2026, exatamente 180 dias depois. Quem tiver um prazo de conformidade deve considerar 1º de agosto como data conservadora e 12 de agosto como a data juridicamente correta, e estar pronto até a primeira delas.
O que diz de fato o artigo 26?
O artigo 26 não estabelece uma única regra. Ele enumera quatro usos permitidos sob uma cláusula introdutória que dispensa, de uma só vez, a autorização e o pagamento:
يجوز دون إذن المؤلف ودون تعويض، استخدام المصنف في الحالات الآتية
“Uma obra pode ser usada, sem autorização do autor e sem compensação, nos casos a seguir.” [S1]
As quatro hipóteses são:
- Cópia privada — reprodução de uma obra original para uso estritamente pessoal, por qualquer meio, desde que tenha sido publicada licitamente e a cópia original tenha sido adquirida legalmente. Obras arquitetônicas incorporadas a edifícios são excluídas.
- Ensino e pesquisa sem fins lucrativos — uso de uma obra publicada, ou de partes dela, para ensino ou pesquisa não comercial, dentro dos limites dessa finalidade, com indicação da fonte e do autor.
- Ilustração científica — desenhos, fotografias, projetos e mapas usados em uma obra científica para explicar seu conteúdo, ou em aulas e congressos científicos, limitados ao que a finalidade justificar e com atribuição.
- Inteligência artificial — a disposição de maior impacto:
نسخ المصنف الأصلي لأغراض تطوير منتجات وخوارزميات الذكاء الاصطناعي بشرط أن يكون المصنف قد نشر بصورة مشروعة، وأن يكون الحصول على ملكية النسخة الأصلية بشكل مشروع، وأن يكون النسخ في حدود ما يلبي الغرض
“Copiar a obra original para desenvolver produtos e algoritmos de inteligência artificial, desde que a obra tenha sido publicada licitamente, que a cópia original tenha sido adquirida legalmente e que a reprodução se limite ao necessário para atender à finalidade.” [S1]
São três condições: publicação lícita, aquisição lícita e proporcionalidade. Não há exigência de atribuição — ao contrário das hipóteses 2 e 3, a previsão para IA não obriga a identificar o autor ou a fonte. Também não há condição relativa ao caráter comercial: o texto não distingue treinamento para pesquisa do desenvolvimento comercial de modelos e, em sua leitura literal, abrange ambos.
Uma quarta limitação está fora do artigo 26 e também se aplica a ele. O artigo 37(1) submete todas as exceções dos artigos 26 a 36 à segunda e à terceira condições do teste internacional de três etapas: o uso não pode conflitar com a exploração normal da obra nem causar prejuízo injustificado aos interesses legítimos dos titulares de direitos [S1]. Esse é o fundamento de qualquer contestação a uma alegação de treinamento de IA e explica por que resumos de escritórios de advocacia enumeram cinco condições, embora o texto árabe do artigo 26 enumere três.
A nova lei permite treinar IA com obras protegidas por direitos autorais?
Sim, expressamente — e essa é a medida de maior consequência da Lei. O texto não silencia sobre o treinamento de IA. O silêncio seria o resultado mais comum: a maioria das leis nacionais de direitos autorais nada diz sobre isso, razão pela qual a questão é discutida judicialmente da Califórnia a Nova Délhi. A Arábia Saudita optou por legislar, e o fez de forma permissiva. A comparação com três regimes semelhantes ajuda a situar a regra:
| Jurisdição | Instrumento | Treinamento comercial | Exclusão a pedido do titular | Atribuição obrigatória |
|---|---|---|---|---|
| Arábia Saudita | Lei de Direitos Autorais de 2026, art. 26(4) | Não excluído pelo texto | Nenhuma | Não |
| União Europeia | Diretiva DSM, art. 4 | Permitido | Sim — reserva legível por máquina | Não |
| Japão | Lei de Direitos Autorais, art. 30-4 | Permitido | Nenhuma | Não |
| Singapura | Lei de Direitos Autorais de 2021, s.244 | Permitido | Nenhuma | Não |
A ausência de mecanismo de exclusão é uma escolha de desenho. A exceção do artigo 4 da União Europeia deixa de se aplicar quando uma editora insere uma reserva legível por máquina; por isso grupos europeus de notícias passaram 2024 e 2025 construindo exatamente essa infraestrutura. Pelo artigo 26(4), uma diretiva em robots.txt ou uma proibição nos termos de serviço não afasta, por si só, a exceção, pois ela não depende do consentimento do titular dos direitos.
A condição decisiva é a segunda: aquisição lícita. Extrair conteúdo de um arquivo por assinatura sem ter uma assinatura não é aquisição lícita; comprar o livro, licenciar a biblioteca de imagens ou assinar o serviço de notícias é. A exceção saudita não autoriza a pirataria como fonte de dados: autoriza o treinamento com material obtido legalmente, sem autorização adicional ou pagamento.
O que isso significa para a HUMAIN, o ALLaM e o treinamento de modelos sauditas
A lógica comercial é clara. O ALLaM, grande modelo de linguagem árabe desenvolvido pelo Centro Nacional de IA da SDAIA, foi criado com um corpus reunido com 16 entidades públicas e descrito pela SDAIA como o maior conjunto de dados de treinamento em árabe existente, com cerca de 500 bilhões de tokens. A HUMAIN lançou o HUMAIN Chat baseado no ALLaM 34B em 2025 [S10]. O insumo escasso no desenvolvimento de modelos em árabe não é capacidade computacional — a expansão dos centros de dados do Reino já tratou dessa questão —, mas textos em árabe de alta qualidade, e grande parte dos melhores textos em árabe está protegida por direitos autorais.
O artigo 26(4) transforma uma negociação de licenciamento em um direito previsto em lei para quem treina dentro do Reino com material obtido licitamente. Lido junto com a estratégia nacional de IA da Arábia Saudita e os princípios éticos de IA da SDAIA, ele completa uma estrutura em que o Reino fornece energia, chips, garantias de residência de dados e agora uma salvaguarda legal para dados de treinamento. A questão em aberto é se isso atrairá desenvolvedores estrangeiros de modelos ou apenas subsidiará os nacionais.
Há um sinal em sentido contrário. Em setembro de 2025, sob a lei anterior, a SAIP multou uma pessoa em SAR9.000 (US$ 2.400) por usar uma ferramenta de IA para alterar a fotografia de outra pessoa e republicá-la — caso noticiado como a primeira penalidade por violação de direitos autorais relacionada à IA no Reino [S9]. O caso dizia respeito ao resultado gerado, não ao treinamento. O artigo 26(4) protege a ingestão de dados; não diz nada sobre se os resultados de um sistema de IA violam direitos nem sobre se podem ser protegidos.
A lei permite que o governo use suas obras sem autorização?
Sim, de maneira restrita e em grande medida sem mudanças — mas não por meio do artigo 26. O artigo 26 não contém nenhuma hipótese de uso pelo governo. As disposições sobre uso pelo Estado aparecem em outros pontos e são limitadas:
- O artigo 30 permite a transmissão pública de palestras, discursos e seminários proferidos em sessões abertas de autoridades públicas ou em encontros científicos.
- O artigo 32 permite que autoridades públicas comuniquem ou executem uma obra publicada em ocasiões oficiais, e que instituições de ensino o façam em seus próprios encontros ou no âmbito familiar — expressamente condicionado à ausência de retorno financeiro direto ou indireto [S1].
Nenhuma das disposições confere poder de expropriação; nenhuma permite reprodução, adaptação ou distribuição. Ambas são exceções para execução e comunicação, presentes também na lei de 2003 e na maioria das normas compatíveis com Berna. Não há um critério de “interesse público” que permita a um ministério requisitar uma obra, licença compulsória para publicação pelo governo ou mecanismo de compensação — porque não há nada a compensar.
A disposição realmente nova é mais discreta, e nenhum alerta a clientes a colocou em destaque. O artigo 37(2) diz:
يجوز في غير الحالات الواردة في المواد من (السادسة والعشرين) إلى (السادسة والثلاثين) استعمال الغير للمصنف دون إذن المؤلف ودون تعويض إذا كان الاستعمال غير تجاري، ولا يتعارض مع الاستغلال العادي للمصنف، ولا يلحق ضرراً غير مبرر بالمصالح المشروعة لأصحاب الحقوق
“Fora dos casos previstos nos artigos 26 a 36, terceiros podem usar a obra sem autorização do autor e sem compensação se o uso for não comercial, não conflitar com a exploração normal da obra nem causar prejuízo injustificado aos interesses legítimos dos titulares de direitos.” [S1]
Trata-se de uma exceção aberta. Ela não enumera hipóteses. Permite que qualquer pessoa faça qualquer uso não comercial — inclusive um órgão público — desde que respeite duas das três condições do teste. A maioria dos sistemas de direito civil adota uma lista fechada justamente para evitar isso; o artigo 37(2) a abre. O titular dos direitos pode recorrer a uma ação cível perante o tribunal competente, na qual cabe a ele demonstrar o conflito com a exploração normal ou o prejuízo injustificado. Não há obrigação de notificar, cadastro de usos nem recurso administrativo contra a invocação dessa disposição por um órgão estatal.
O artigo 26 passa no teste de três etapas de Berna?
A questão é controversa, e a resposta depende de uma condição que a lei saudita não incorporou.
A Arábia Saudita aderiu à Convenção de Berna em 11 de dezembro de 2003, e a Ata de Paris entrou em vigor para o Reino em 11 de março de 2004 [S8]. O país ingressou na OMC em 11 de dezembro de 2005, assumindo também as obrigações do TRIPS. O artigo 9(2) de Berna permite a reprodução “em certos casos especiais, desde que tal reprodução não conflite com a exploração normal da obra nem cause prejuízo injustificado aos interesses legítimos do autor” [S11]. O artigo 13 do TRIPS estende a fórmula a todos os direitos exclusivos [S12].
O artigo 37 reproduz quase literalmente a segunda e a terceira condições. Não reproduz a primeira — a exigência de que as exceções se limitem a certos casos especiais. É nessa omissão que se concentra o debate.
Argumento de conformidade: o teste vincula os Estados, não os legisladores, e nada exige que a primeira condição apareça no texto da lei. A hipótese de IA do artigo 26 pode ser considerada um caso especial: é definida por sua finalidade, delimitada por duas condições de licitude e uma condição de proporcionalidade, e, em sua redação, é mais estreita que o artigo 30-4 do Japão, que nenhum membro da OMC contestou em mais de sete anos.
Argumento de não conformidade: o painel da OMC no litígio de 2000 US — Section 110(5) interpretou “certos casos especiais” como uma exigência de que a exceção fosse claramente definida e restrita em seu alcance quantitativo e qualitativo. É difícil caracterizar como quantitativamente restrita uma exceção que permite reproduzir integralmente obras para treinamento de modelos comerciais, sem mecanismo de exclusão nem obrigação de atribuição. O artigo 37(2) é ainda mais difícil de justificar: por definição, uma exceção aberta para usos não comerciais não constitui um caso certo.
É improvável que qualquer das disposições seja submetida a um teste. Berna não tem mecanismo direto de aplicação, e nenhum membro da OMC contestou uma exceção de mineração de texto e dados em qualquer jurisdição. A exposição é reputacional, não jurídica — um custo real para um Reino que passou uma década construindo credibilidade em propriedade intelectual como argumento para investimentos, mas não um custo jurídico.
Por quanto tempo duram os direitos autorais na Arábia Saudita?
Durante a vida do autor e por mais 50 anos. O artigo 22 da Lei de 2026 mantém o prazo previsto no artigo 19 da norma de 2003 [S7] — o mínimo de Berna e 20 anos a menos que o padrão de vida do autor mais 70 anos adotado pela União Europeia, pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos.
| Categoria | Prazo |
|---|---|
| Autor pessoa física | Vida do autor + 50 anos |
| Coautoria | 50 anos após a morte do último autor sobrevivente |
| Pessoas jurídicas e obras anônimas ou pseudônimas | 50 anos após a primeira publicação |
| Obras audiovisuais | 50 anos após a primeira exibição ou conclusão |
| Arte aplicada | 25 anos após a primeira publicação |
| Produtores de gravações sonoras | 50 anos |
| Artistas intérpretes ou executantes | 50 anos |
| Organizações de radiodifusão | 20 anos após a primeira transmissão |
Os direitos morais são tratados de forma mais ampla que na lei anterior. O artigo 7 os torna perpétuos, intransferíveis e irrenunciáveis, abrangendo a primeira publicação, a atribuição ou o uso de pseudônimo, a objeção à publicação sob o nome de outra pessoa e a objeção a distorções que prejudiquem a reputação do autor. Após a morte, os direitos passam aos herdeiros, não ao Estado, e o autor pode pedir ao tribunal competente a retirada de uma obra de circulação por motivos graves [S5][S6].
Duas mudanças estruturais importam para quem detém um portfólio. O registro na SAIP continua facultativo — os direitos autorais surgem com a criação —, mas o artigo 42 torna o registro uma prova prima facie de titularidade, que pode ser contestada por prova em contrário [S6]. E as obras órfãs são transferidas à Autoridade Geral de Tutela do Patrimônio de Menores, em vez de permanecerem sem destinação [S4].
Quais são as penalidades por violação de direitos autorais na Arábia Saudita?
Até um ano de prisão e multa de até SAR1m (US$ 266.000), nos termos do artigo 47, com valores dobrados em caso de reincidência em até três anos — o que eleva o teto a SAR2m (US$ 533.000). Em relação à lei de 2003, a multa máxima quadruplica e a pena máxima de prisão dobra.
A estrutura de fiscalização mudou mais que os valores. Inspetores da SAIP podem realizar buscas e receber denúncias; o CEO pode ordenar o fechamento de estabelecimentos por até sete dias úteis; a apreensão e destruição das cópias infratoras e dos equipamentos usados para produzi-las é obrigatória, às custas do infrator. A SAIP pode firmar acordos administrativos de até SAR2m; o acordo é vinculante e definitivo, extingue o processo criminal e preserva as pretensões indenizatórias de terceiros. Os casos criminais são encaminhados à Promotoria Pública [S4].
As medidas cíveis são codificadas separadamente e são substancialmente mais fortes. O artigo 51 concede aos titulares dos direitos uma ação por perdas e danos que inclui expressamente os lucros obtidos pelo infrator — medida de restituição ausente do texto de 2003 —, além de apreensão, ordens de cessação e divulgação de informações [S5]. As ações tramitam nos tribunais ordinários; a instância que julga a maioria das disputas comerciais é abordada em nossa nota sobre os tribunais comerciais da Arábia Saudita.
Como a Lei de 2026 se compara à Lei de Direitos Autorais de 2003
| Disposição | Lei de 2003 (M/41) | Lei de 2026 (M/169) | Efeito prático |
|---|---|---|---|
| IA / mineração de texto e dados | Não tratada | Art. 26(4) prevê exceção expressa, sem autorização nem pagamento | Treinar com obras obtidas licitamente passa a ser um direito previsto em lei |
| Estrutura das exceções | Lista fechada (art. 15) | Lista enumerada (arts. 26–36) mais art. 37(2) aberto | Usos não comerciais fora da lista passam a ter defesa legal |
| Teste de três etapas | Não consta do texto | Art. 37(1), apenas a segunda e a terceira condições | Todas as exceções passam a estar expressamente condicionadas |
| Multa máxima | SAR250.000 | SAR1m, SAR2m em caso de reincidência | Aumento de quatro vezes |
| Pena máxima de prisão | 6 meses | 1 ano | Dobra |
| Indenização | Princípios gerais | Art. 51, incluindo os lucros do infrator | Passa a ser possível exigir a restituição dos lucros |
| Obras feitas sob encomenda no emprego | Cessões futuras inválidas | Empregador é titular das obras ligadas à sua atividade; cessões gerais de obras futuras continuam inválidas | Contratos de trabalho precisam ser revistos |
| Licenças de software | Não tratadas | Art. 12 torna os termos da licença exigíveis, sujeitos à ordem pública | Termos de uso passam a ser exigíveis no Reino |
| Responsabilidade de plataformas | Não tratada | Art. 49 prevê salvaguarda legal com notificação e remoção | Plataformas de conteúdo gerado por usuários ganham uma defesa condicionada |
| Gestão coletiva | Não tratada | Art. 41 permite entidades de gestão coletiva | Abre-se caminho para licenciamento coletivo |
| Obras órfãs | Não tratadas | Transferidas à autoridade de tutela | Define-se um custodiante |
| Acessibilidade | Não tratada | Permite cópias em formato acessível sem fins lucrativos | Exceção semelhante à de Marrakesh |
| Registro | Não servia como prova | Art. 42 estabelece presunção de titularidade, sujeita a prova em contrário | O custo do registro passa a valer a pena |
| Prazo de proteção | Vida + 50 | Vida + 50 (sem mudança) | Continua 20 anos abaixo do padrão da UE e dos EUA |
O que editoras, fotógrafos e fornecedores devem fazer antes de 12 de agosto
O prazo é de dias, não meses. Uma lista prática, em ordem de prioridade:
- Audite o que licenciou na Arábia Saudita. Qualquer contrato cujo valor dependa de controlar a leitura automatizada precisa ser revisto agora. O artigo 26(4) não substitui um contrato que você assinou, mas, na ausência de contrato, elimina a proteção legal que existia.
- Leve a proteção para os contratos. Controles de acesso e condições de assinatura e licenciamento que restrinjam a leitura automatizada continuam exigíveis como obrigações contratuais, embora não afastem a exceção em termos de direitos autorais.
- Fotógrafos e bibliotecas de imagens: registrem as obras. A presunção de titularidade do artigo 42 torna o registro na SAIP útil como prova pela primeira vez. Observe que a arte aplicada tem prazo de proteção de 25 anos, e a lei não define a fronteira entre ela e a fotografia.
- Fornecedores de software: revisem os contratos de licença de usuário final (EULAs). O artigo 12 torna os termos de licença exigíveis, sujeitos à ordem pública. Termos redigidos para jurisdições com exceções diferentes para cópias de segurança e engenharia reversa devem ser conferidos à luz do artigo 33.
- Serviços de streaming e plataformas de conteúdo gerado por usuários: criem um canal de notificações. A salvaguarda legal do artigo 49 exige um mecanismo para que titulares de direitos denunciem violações e para que o conteúdo seja removido em prazo razoável. Uma plataforma sem um processo funcional de remoção não tem defesa.
- Empregadores: verifiquem os contratos antes da entrada em vigor. As obras criadas por empregados dentro do campo de atividade do empregador passam a pertencer a ele; as demais, não. Cessões gerais de obras futuras continuam inválidas.
- Desenvolvedores de IA: documentem a procedência. Guardem comprovantes de compra, recibos de licenciamento e registros de coleta. Um corpus sem procedência documentada não permite demonstrar aquisição lícita.
- Todos: leiam os regulamentos de implementação assim que forem publicados. Eles devem definir a proporcionalidade prevista no artigo 26(4), o alcance das obras feitas no emprego, os direitos morais de artistas intérpretes e executantes e a estrutura de gestão coletiva.
Por que isso importa para a Visão 2030
Os programas de transformação raramente são vencidos ou perdidos por causa dos direitos autorais, mas esta lei se situa entre duas apostas da Visão 2030 que puxam em direções opostas.
A primeira é a economia criativa. O Reino investiu pesado em uma indústria de conteúdo local — o setor cinematográfico saudita, a expansão dos jogos e dos esportes eletrônicos por meio do Savvy Games Group e a tese de investimento nas indústrias criativas que o Ministério da Cultura tem o mandato de desenvolver. Todos dependem de que os direitos tenham valor. Um prazo de 50 anos após a morte do autor, inalterado desde 2003, e uma exceção de treinamento sem mecanismo de exclusão não são as condições que um mercado de direitos maduro escolheria.
A segunda aposta é a IA soberana. Nesse contexto, as mesmas disposições se parecem com um subsídio industrial: a forma mais barata de reduzir a escassez de dados em árabe é torná-los gratuitos no momento da ingestão. Para um país cuja ambição em IA é limitada pelo tamanho dos corpora, não pelo capital, o artigo 26(4) é um instrumento racional.
A lei não resolve essa tensão; apenas a decide a favor dos desenvolvedores de modelos e adia as consequências para regulamentos ainda não publicados em 31 de julho de 2026. O grupo beneficiado não é o setor criativo que a Visão 2030 também promete construir. Sobre a sequência de instrumentos como esse, consulte como as leis são feitas na Arábia Saudita e o histórico da reforma regulatória sob a Visão 2030.
Riscos, contradições e questões em aberto
A data está definida no texto, mas não no mercado. Duas firmas internacionais publicaram 1º de agosto e outras duas publicaram 12 de agosto. Até que a SAIP ou o Escritório de Especialistas anuncie uma data publicamente, algumas contrapartes vão se preparar para a primeira.
O texto árabe usado aqui veio de um agregador de textos jurídicos, não do portal da própria SAIP. A redação dos artigos 26, 32, 37 e 61 citada acima foi conferida com quatro resumos independentes de escritórios de advocacia e é compatível com todos eles; a página do portal do Umm al-Qura sobre a Decisão 560 do Conselho de Ministros confirma o número da decisão e a data de publicação de 25/08/1447 AH, mas não reproduz o texto dos artigos [S2].
A numeração dos artigos varia nas fontes secundárias. A Reed Smith cita o artigo 60 para a entrada em vigor; o texto publicado atribui a entrada em vigor ao artigo 61 e o prazo dos regulamentos ao artigo 60. Quando este artigo indica um número, segue o texto árabe.
O alcance comercial da exceção não foi determinado. O artigo 26(4) não diz “não comercial”, enquanto o artigo 37(2) diz — o que sugere, por contraste, que o artigo 26(4) abrange treinamento comercial. Trata-se de uma interpretação, não de uma decisão.
Os resultados não são abordados. Nada esclarece se um resultado de modelo que reproduza expressão protegida viola direitos ou se material gerado por IA pode receber proteção. A decisão da SAIP de setembro de 2025 sugere que a fiscalização de resultados está em curso; a Lei não oferece um enquadramento para ela.
Sem mecanismo de exclusão, não há negociação. Os titulares de direitos na União Europeia responderam ao artigo 4 com reservas legíveis por máquina. Aqui não há instrumento equivalente, o que elimina o mecanismo pelo qual mercados de licenciamento normalmente se formam — embora o artigo 41 permita a existência de entidades de gestão coletiva.
O que acompanhar a seguir
- Antes de 12 de agosto de 2026 — publicação dos regulamentos de implementação da SAIP, nos termos do artigo 60. Leia primeiro a definição de proporcionalidade do artigo 26(4) e o prazo de remoção do artigo 49.
- 12 de agosto de 2026 — entrada em vigor. Acompanhe um comunicado da SAIP que indique a data; isso encerraria definitivamente a dúvida entre 1º e 12 de agosto.
- Quarto trimestre de 2026 — primeiras medidas de fiscalização sob as novas penalidades e eventual preferência da SAIP pela via de acordo administrativo de SAR2m em vez do encaminhamento criminal.
- 2027 — criação da primeira entidade de gestão coletiva prevista no artigo 41. Seu repertório e tabela de tarifas mostrarão se haverá um mercado de licenciamento apesar da exceção de treinamento.
- Continuamente — comentários da OMPI ou da OMC sobre a exceção para IA e eventual adoção da fórmula do artigo 26(4) por outros países do Conselho de Cooperação do Golfo. Sua replicação regional faria dela um padrão de fato no Golfo.
Contexto relacionado à Visão 2030
- Proteção da propriedade intelectual na Arábia Saudita — patentes, marcas e o papel institucional da SAIP. Essa página trata do quadro geral de propriedade intelectual; esta aborda especificamente a Lei de Direitos Autorais de 2026 e o artigo 26.
- Lei de Proteção de Dados Pessoais da Arábia Saudita — o regime paralelo que rege os dados pessoais em corpora de treinamento.
- SDAIA e a autoridade nacional de dados — o órgão por trás do ALLaM e da estrutura de governança de dados do Reino.
- Políticas de governança de dados da NDMO — regras de classificação de dados que acompanham o treinamento dentro do Reino.
- Privacidade de dados e conformidade cibernética na Arábia Saudita — a estrutura paralela de conformidade para desenvolvedores de IA.
- Lei de investimento estrangeiro da Arábia Saudita — o quadro aplicável a editoras e plataformas de propriedade estrangeira.
- Lei sobre propriedade imobiliária por estrangeiros — o precedente recente mais próximo para a fórmula dos 180 dias do artigo 61.
- Panorama da Visão 2030 — o programa no qual se insere a reforma da propriedade intelectual.
Fontes
- [S1] Reino da Arábia Saudita, Copyright Law (نظام حقوق المؤلف), aprovada pela Decisão do Conselho de Ministros nº 560, de 27 de janeiro de 2026, e emitida pelo Decreto Real nº M/169 de 14/08/1447 AH — texto legislativo em árabe, artigos 22, 26, 30, 32, 37, 47, 59, 60, 61. https://qanoonsa.com/p/514448/
- [S2] Diário Oficial Umm al-Qura, Aprovação do Projeto de Lei de Direitos Autorais (الموافقة على مشروع نظام حقوق المؤلف), Decisão do Conselho de Ministros nº 560, publicada em 25/08/1447 AH (13 de fevereiro de 2026). https://www.uqn.gov.sa/decisions-and-regulations/4000303
- [S3] Baker McKenzie, Saudi Arabia: New Copyright Law Modernises KSA IP Framework, alerta a clientes, julho de 2026. https://www.bakermckenzie.com/en/insight/publications/2026/07/saudi-arabia-new-copyright-law-modernises-ksa-ip-framework
- [S4] Gowling WLG (Bachir Chakra, Muath Alghamdi, Renad Alhumaidi Al-Harbi, Sarah Batarfi), Saudi Arabia Copyright Law 2026: Key Changes and What Businesses Need to Know, alerta a clientes, 2026. https://gowlingwlg.com/en/insights-resources/articles/2026/saudi-arabia-copyright-law-2026
- [S5] A&O Shearman, Saudi Arabia’s New Copyright Law: Key Changes and Implications, alerta a clientes, 2026. https://www.aoshearman.com/en/insights/saudi-arabias-new-copyright-law-key-changes-and-implications
- [S6] Reed Smith (Jamie Ryder, Alex Mackay), New Saudi Copyright Law — Legislating for the Future, alerta a clientes, 2026. https://www.reedsmith.com/our-insights/blogs/viewpoints/102mikv/new-saudi-copyright-law-legislating-for-the-future/
- [S7] WIPO Lex, Copyright Law of Saudi Arabia, Decreto Real nº M/41 de 2 Rajab 1424H (30 de agosto de 2003), conforme alterada pela Decisão nº 536 do Conselho de Ministros de 19 Shawwal 1439H (3 de julho de 2018) — registro legislativo. https://www.wipo.int/wipolex/en/legislation/details/19412
- [S8] OMPI, Notificação de Berna nº 227 — Adesão do Reino da Arábia Saudita (depositada em 11 de dezembro de 2003; em vigor desde 11 de março de 2004, Ata de Paris de 1971). https://www.wipo.int/wipolex/en/treaties/notifications/details/treaty_berne_227
- [S9] Saudi Gazette, SR9,000 Fine for Copyright Infringement Using AI, notícia, setembro de 2025. https://www.saudigazette.com.sa/article/654940
- [S10] Agência de Imprensa Saudita, HUMAIN Launches HUMAIN Chat, Powered by ALLaM 34B, comunicado oficial. https://www.spa.gov.sa/en/N2385004
- [S11] OMPI, Convenção de Berna para a Proteção das Obras Literárias e Artísticas, Ata de Paris de 1971, artigo 9(2) — texto do tratado. https://www.wipo.int/wipolex/en/text/283698
- [S12] Organização Mundial do Comércio, Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS), artigo 13 — Limitações e Exceções. https://www.wto.org/english/docs_e/legal_e/27-trips_04_e.htm